
Escrever um comentário sobre um livro tão complexo e completo tal como o Relatório Lugano de Susan George é tarefa árdua, de difícil labor, mas que traz em si a satisfação de trabalhar sobre um texto tão belo e ao mesmo tempo apocalíptico.
O Relatório Lugano de Susan nos traz uma questão bastante importante: a manutenção do capitalismo no século XXI. No mundo atual, as crises financeiras, conflitos bélicos, desastres ambientais, fome e pobreza devastadora colocam em xeque o modelo de economia capitalista que, por sinal, é um dos principais responsáveis por essas mazelas que afligem a sociedade.
É tendo em vista esse tema, que Susan cria em seu livro uma situação fictícia onde um grupo de intelectuais - contratados por aqueles que detêm o poder econômico – instalam-se em Lugano – cidade na Suíça – com uma missão simples e clara: identificar a causa do problema e propor a solução para o mesmo. E os “intelectuais” em Lugano cumprem bem o seu papel.
O problema que ameaça o sistema capitalista, segundo o grupo, é a imensidão de seres supérfluos, um excedente populacional improdutivo que vive à margem do sistema. O capitalismo não é uma equação matemática perfeita, ele produziu ao longo de todos esses anos de domínio - que contam desde o seu tímido surgimento na Europa da ilustração até a era globalizada - essa taxa de seres classificados como excedentes.
O liberalismo é numa perspectiva formal, altamente democrático. A concorrência é livre e todos podem participar. Existe também a triste ilusão de que a falha se encontra na má administração dos governos etc., e não no modelo capitalista onde com esforço e trabalho árduo, os indivíduos chegarão a ter o seu “lugar ao sol”. Devido a esse caráter livre o capitalismo se transformou num neoleviatã. O homem nunca deixou de ser o lobo do homem, a diferença é que agora ele está um pouquinho mais “civilizado”.
Na busca incessante pelo lucro individual, o homem subjugou outros homens transformando-os em uma extensão de máquinas e em força de trabalho potencializada para a geração de lucro. Ao redor dessa necessidade foram-se criando diversas instituições e cada vez mais uma interdependência na divisão social do trabalho. Os paises detentores desse poder buscaram o seu desenvolvimento, exploraram outros e prosperaram. Enquanto que os explorados precisavam se adaptar para entrar num regime que os explorava. Mas essa história de metrópole versus colônia já é conhecida por todos.
A grande sacada é que essa exploração formou nações, estados, mas estados de perdedores, serviçais, de pobres. Para o capitalista o pobre é um perdedor e perdedores não podem ser tolerados, eles são um fardo. E é assim que se forma o excedente populacional que vai ser combatido para a manutenção do capitalismo no século XXI. Tal excedente era apenas uma questão de tempo... Faltava apenas uma queda na taxa de mortalidade. Agora o mundo está infestado de supérfluos e se medidas não forem tomadas esse número continuará crescendo até um estágio insustentável. O que fazer então?
A solução proposta pelos “intelectuais” do relatório segue uma lógica cruel: se o problema é o excesso vamos acabar com esse excesso e evitar que ele ocorra novamente. Surge então as ERPs - Estratégias de Redução Populacional – que são medidas para se reduzir a população.
No entanto, para o sucesso dessas medidas é necessário que elas sejam aplicadas de forma que os indivíduos não percebam quem é o real inimigo e o porquê que estão sendo dizimados. Surge então o rol de possibilidades que podem efetivar esse objetivo: incentivo a revoltas e conflitos, desestabilização de governos, promoção de doenças tudo de forma tão camuflada que as vítimas acreditariam que foram atingidas pelo simples acaso, pelo inevitável. Mas apenas isso não é o suficiente. É preciso também planejamento familiar para que a população não volte a crescer de forma desordenada produzindo novos supérfluos. Essa é a lógica do relatório: identificar, destruir e manter o status quo almejado. Há outra alternativa?
Sim, mas apenas se estivermos dispostos a mudar. Mas uma mudança de grandes proporções, que reflita nas superestruturas controladas pela infraestrutura capitalista. Mudança de medidas radicais que mudem essa lógica neoliberal cruel. O mundo está sangrando e o fluxo de sangue aumenta cada vez mais que as disparidades sociais, de acesso a saúde, educação, cultura e tecnologia vão se alastrando cada vez mais. Devemos estar atentos, pois se a postura atual continuar só teremos duas opções: ou seremos as vítimas ou... estaremos do outro lado.
O Relatório Lugano de Susan nos traz uma questão bastante importante: a manutenção do capitalismo no século XXI. No mundo atual, as crises financeiras, conflitos bélicos, desastres ambientais, fome e pobreza devastadora colocam em xeque o modelo de economia capitalista que, por sinal, é um dos principais responsáveis por essas mazelas que afligem a sociedade.
É tendo em vista esse tema, que Susan cria em seu livro uma situação fictícia onde um grupo de intelectuais - contratados por aqueles que detêm o poder econômico – instalam-se em Lugano – cidade na Suíça – com uma missão simples e clara: identificar a causa do problema e propor a solução para o mesmo. E os “intelectuais” em Lugano cumprem bem o seu papel.
O problema que ameaça o sistema capitalista, segundo o grupo, é a imensidão de seres supérfluos, um excedente populacional improdutivo que vive à margem do sistema. O capitalismo não é uma equação matemática perfeita, ele produziu ao longo de todos esses anos de domínio - que contam desde o seu tímido surgimento na Europa da ilustração até a era globalizada - essa taxa de seres classificados como excedentes.
O liberalismo é numa perspectiva formal, altamente democrático. A concorrência é livre e todos podem participar. Existe também a triste ilusão de que a falha se encontra na má administração dos governos etc., e não no modelo capitalista onde com esforço e trabalho árduo, os indivíduos chegarão a ter o seu “lugar ao sol”. Devido a esse caráter livre o capitalismo se transformou num neoleviatã. O homem nunca deixou de ser o lobo do homem, a diferença é que agora ele está um pouquinho mais “civilizado”.
Na busca incessante pelo lucro individual, o homem subjugou outros homens transformando-os em uma extensão de máquinas e em força de trabalho potencializada para a geração de lucro. Ao redor dessa necessidade foram-se criando diversas instituições e cada vez mais uma interdependência na divisão social do trabalho. Os paises detentores desse poder buscaram o seu desenvolvimento, exploraram outros e prosperaram. Enquanto que os explorados precisavam se adaptar para entrar num regime que os explorava. Mas essa história de metrópole versus colônia já é conhecida por todos.
A grande sacada é que essa exploração formou nações, estados, mas estados de perdedores, serviçais, de pobres. Para o capitalista o pobre é um perdedor e perdedores não podem ser tolerados, eles são um fardo. E é assim que se forma o excedente populacional que vai ser combatido para a manutenção do capitalismo no século XXI. Tal excedente era apenas uma questão de tempo... Faltava apenas uma queda na taxa de mortalidade. Agora o mundo está infestado de supérfluos e se medidas não forem tomadas esse número continuará crescendo até um estágio insustentável. O que fazer então?
A solução proposta pelos “intelectuais” do relatório segue uma lógica cruel: se o problema é o excesso vamos acabar com esse excesso e evitar que ele ocorra novamente. Surge então as ERPs - Estratégias de Redução Populacional – que são medidas para se reduzir a população.
No entanto, para o sucesso dessas medidas é necessário que elas sejam aplicadas de forma que os indivíduos não percebam quem é o real inimigo e o porquê que estão sendo dizimados. Surge então o rol de possibilidades que podem efetivar esse objetivo: incentivo a revoltas e conflitos, desestabilização de governos, promoção de doenças tudo de forma tão camuflada que as vítimas acreditariam que foram atingidas pelo simples acaso, pelo inevitável. Mas apenas isso não é o suficiente. É preciso também planejamento familiar para que a população não volte a crescer de forma desordenada produzindo novos supérfluos. Essa é a lógica do relatório: identificar, destruir e manter o status quo almejado. Há outra alternativa?
Sim, mas apenas se estivermos dispostos a mudar. Mas uma mudança de grandes proporções, que reflita nas superestruturas controladas pela infraestrutura capitalista. Mudança de medidas radicais que mudem essa lógica neoliberal cruel. O mundo está sangrando e o fluxo de sangue aumenta cada vez mais que as disparidades sociais, de acesso a saúde, educação, cultura e tecnologia vão se alastrando cada vez mais. Devemos estar atentos, pois se a postura atual continuar só teremos duas opções: ou seremos as vítimas ou... estaremos do outro lado.
P.S: O Relatório Lugano é leitura obrigatória!