Barack Obama é o homem do momento. Poucos presidentes na história dos EUA tiveram essa badalação digna de astros do rock. No entanto, enganam-se aqueles que vêem no habilidoso político uma solução para o declínio norte-americano. Apesar de trazer uma nova perspectiva para a política do seu país, Barack pouco poderá fazer para manter os EUA no topo do mundo, como esperam muitos americanos.
Tivemos Atenas, depois Roma, França, Inglaterra e agora chegou a vez dos Estados Unidos da América experimentarem o gostinho do declínio e dar lugar a outro Estado que passe a dar as cartas na política e economia mundiais. Isto é um ciclo fadado a todos que detém o poder - não aquele ciclo malthusiano carregado por um determinismo social, mas um ciclo provocado devido a nossa maneira natural de governar: o uso da força.
Podemos dar o crédito a nossa perspectiva de "gorvernar" ao brilhante Nicolau Maquiavel, considerado pela maioria o primeiro cientista político da história. Em sua obra capital, O Príncipe, ele traça medidas estratégicas para que Lorenzo de Médici possa unificar a Itália e estabelece-la sobre seu domínio. Traça Maquiavel aquilo que entendemos como líder, como governante: aquele que manda, que decide, que tem sob si o poder de dirigir outros.
Foi - nos conservada essa perspectiva de liderança, que se instalou intrisecamente nos Estados que surgiam na época e deu fôlego ao absolutismo. Tratar sobre esse assunto seria por demasiado extenso, longo, onde passsariamos por quase três séculos até a ascensão da burguesia-liberal com quem surge o sufrágio. Se entrarmos no mérito deste assunto não poderiamos descartar da discussão nomes como Hobbes, Rousseau, Morus, Montesquieu, Marx e até mesmo Kant... Por isso paremos por aqui.
No entanto essa idéia de dominação que teve sua gênese em Maquiavel se torna elemento constitutivo do Estado. E nesse ponto seria um crime brutal se não falarmos de Max Weber. Segundo Weber o conceito de Estado repousa na institucionalização da violência. Citando Trostky de forma literal ele nos diz que "Todo Estado se fundamenta na força". Weber coloca que todas as formações políticas são formações de força, no entanto ele vai um pouco mais além e nos diz que a violência não é o instrumento normal e único do Estado, mas vai ser aquele mais específico. Por fim, nos dá o sociológo seu conceito de Estado, sintetizado por Paulo Bonavides em sua célebre Ciência Política: "comunidade humana que, dentro de um determinado território, reinvidica para si, de maneira bem-sucedida, o monopólio da violência física legítima."
Foi com essa visão de liderança que todos os Estados modernos constituiram suas formas de governar e até mesmo de se expandir. E é por agir de tal forma que eles são e serão sempre passageiros. Enquanto o conceito de liderança pairá num individualismo de uma nação que quer se sobrepor sobre as outras, o mundo passará por ciclos de comando das mais variadas nações. Os EUA obedecendo a essa perspectiva de liderança, expandiu seus tentáculos pelo mundo e parou numa força chamada Oriente Médio. E é essa força que vem fazendo o trem bala chamado Tio Sam diminuir cada vez mais sua velocidade, tudo isso por que?
Porque os EUA ao assumir o posto de liderança do mundo fez como a Inglaterra, a França e tentou submeter outros a seus comandos.
E é nesse ponto que voltamos a Barack Obama. Uma de suas primeiras medidas vai ser retirar as tropas americanas do Oreinte Médio, no entanto, o estrago já foi feito, e o máximo que o carismático Barack pode fazer é tentar limpar um pouco a sangrenta história americana e fazer seu país sair de cena com um pouco mais de dignidade do que seu ex-presidente Bush.
Mas é claro que isso não acontecerá da noite para o dia. Não há como prever o tempo que ocorrerá a queda, mas já percebemos que ela será inevitável.
Impressionate é lembramos que fazem 50 anos que ocorreu a Revolução Cubana, e que mesmo após longos anos de embargo econômico, Cuba sendo o país pobre que é, consegue manter a igualdade entre o povo, o segundo índice mais baixo de mortalidade das Américas junto ao Canadá, altos niveis de cultura e educação no país.
Cuba é uma prova de coragem, vontade e fé, que nos traz um pouco de esperança... Apesar de suas controvérsias, sacríficios e dificuldades.
Resta a Barack desejar-lhe boa sorte e torcer para que ele possa dar um pouco de brio a história americana.
"K.t.f"
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
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É, meu caro, "o trem bala chamado Tio Sam" ao abandonar o "trem" e conduzir sua política internacional 'à bala', parece assistir o descarrilhamento sem precedentes.
ResponderExcluirUm grande abraço.