Perdas... a vida é cheia de perdas. Perdemos, ganhamos, mudamos... tudo de forma tão frequente que as vezes esses momentos passam de forma despercebida. No entanto há as perdas impactantes que nos machucam e nos fazem sofrer.
Hoje estou triste... perdi alguém especial, um amigo querido que vai deixar saudades não apenas dos momentos que tivemos em nossa grande parceria, mas também pelas coisas que poderiamos fazer no futuro. E escrevo esse texto, não como um desabafo - as lágrimas derramadas hoje já foram o suficiente -, mas como forma de homenagear um irmão do peito.
Paulino se tornou um amigo como todos os outros se tornam: a amizade começa de mansinho, a convivência aumenta e quando nos damos conta, fizemos um nova amizade. Por isso, não existe um momento exato em que ele se tornou meu amigo, mas lembro que o conheci quando estava na sétima série no colégio Centro Cultural da Central, através de seu irmão Peterson. Na época, Peterson - que até hoje é um grade amigo - estava muito mais próximo em relação à amizade. Éramos da mesma sala, ouviamos as mesmas músicas e tinhamos a visão rebelde e diferenciada dos "adolescentes revolucionários".
Contudo, a minha amizade com Paulino cresceu quando passamos a estudar juntos no Duque de Caxias e montamos uma banda. A banda era composta por mim (vocal), Peterson (guitarra solo), Paulino (guitarra ritmo) e Lula (bateria). Alguns amigos chegaram a presenciar uns ensaios e foi um momento mágico na minha vida, porque simultâneo a isso tudo, outras coisas estavam rolando naquela temporada 2003/2004...
No ano de 2004 precisamene, eu e Paulino continumos a estudar juntos no Duque e passamos a compor. Era perfeito... no intervalo da aula eu passava o início de uma letra de música para ele e quando a aula terminava, Paul já tinha o fim da letra... parecia que ele estava na minha cabeça e entendia perfeitamente o que eu queria expressar. Também ocorria o contrário e isso demonstrava a nossa alta afinidade musical. Inflizmente, pelo momento, nós só conseguimos "musicar" uma letra, que por sinal, ficou bem legal!
Mas Paul não era apenas um bom músico, era uma excelente pessoa. Jovem, tranquilo, sereno, amigo... Desenhava de forma brilhante, era um artista... Ele me permtiu compartilhar com ele os meus sonhos de montar uma banda de rock e fazer sucesso... E a gente sonhava, projetava... E se isso se concretizasse, Paulino estaria do meu lado tocando sua guitarra como ocorre nas grandes parcerias que duram décadas.
Mas o destino não quis assim. Primeiro a banda se desfez... Fomos ficando mais velhos e as "responsabilidades" aumentando... tentamos ainda conduzir o barco, mas nada. Estavámos estagnados. Eu também mudei o meu objetivo que hoje é o de ser escritor (na verdade, e eu vou deixar a modéstia um pouco de lado agora, eu já sou se contarmos o livro que acabei de escrever, mas ainda não foi publicado), mas nunca quis deixar de tocar, não com o objetivo de me profissionalizar, mas como diversão mesmo.
Eu e Paulino sentiamos essa necessidade... e nesse ano pretendiamos voltar a tocar. Nos reunimos algumas vezes para discutirmos o que tocar, como tocar, os passos que gostariamos de ir dando gradativamente... Na última reunião - isso há uns dois meses - levei umas músicas pra ele ouvir e como poderiamos explorá-las. Mantivemos o contato via net e assim as coisas iam...
Mas nessa manhã as coisas mudaram definitivamente... Soube hoje, 13 de Maio de 2009, que Paulino faleceu ontem vítima de Meningite tipo C.
Foi um choque terrível... não esperava isso nunca, meu amigo de apenas 22 anos se foi de forma fulgás e não tive oportunidade de dizer adeus.
Minha vontade hoje é de dormir e acordar no outro mês, como se nada disso tivesse acontecido e que Paul tivesse ido fazer uma viagem pra longe, sem data de retorno... mas, infelizmente, não é assim. Engraçado que ontem eu estava tão triste, meio frustrado... até parece que algo dentro de mim já sabia.
Enfim, apesar de Paulino já ter atravessado o túnel da vida, na minha vida ele estará até o fim... no meu coração e nas minhas lembranças. Foi muito bom ter sido parte de um capítulo da sua vida meu caro. Que Deus lhe abençõe e guie seu caminho por onde quer que esteja.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
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É verdade, querido...a partida de alguém que amamos deixa um vázio indizível, incompreensível, muitas vezes. Mas, nesse vázio, é possível enxergarmos algo diferente, novo, renovador...Como as folhas que caem e possibilitam à árvore um aspecto de transição, num processo lindamente dinâmico.
ResponderExcluirAssim, meu amado Julien, as novas marcas que a lembrança do amigo lhe trará, produzirão um olhar sempre renovado da vida, no qual a 'perda' (folhas que caem generosamente no chão)é, senão, um lapso traumático e, ao mesmo tempo, possibilitador de um olhar cativo à doce conspiração de misericórdias e bondades divinas.
Não se preocupe, o Senhor Jesus tratará do seu coração como ninguém o faria.
Um grande beijo em seu coração.